segunda-feira, 14 de abril de 2014

Cortes de produção já atingem metade das montadoras

Clipping Diário do GRande ABC



Agência Estado
Denis Maciel/DGABC
Das 20 fabricantes de automóveis, comerciais leves e caminhões instaladas no País, metade já anunciou medidas de corte de produção nas últimas semanas, seja por meio de férias coletivas, suspensão temporária de contratos de trabalho, redução de turnos e PDV (programa de demissão voluntária) - caso daMercedes-Benz, que afirma ter 2 mil funcionários excedentes no ABC paulista.
Segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), no fim de março havia 387,1 mil veículos nos pátios das fábricas e concessionárias, o equivalente a 48 dias de vendas, a mais alta média desde novembro de 2008, em plena crise financeira internacional. O setor considera razoável 25 a 35 dias.
No segmento de autopeças, que vende 70% de sua produção para as montadoras, as empresas também começam a adotar medidas de corte de produção, como férias coletivas, informa Paulo Butori, presidente do  Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores).
"Os empresários estão cautelosos e não estão investindo", diz Butori. Além dos problemas específicos de cada setor, há incertezas nos cenários econômico e político. O executivo teme que o desempenho da indústria como um todo seja ainda pior do que o crescimento de 0,5% projetado pelo Banco Central e encerre o ano negativo.
Segundo o Sindipeças, a previsão até agora para o faturamento do setor (sem desconto da inflação ou variação cambial) é de crescimento de 5,5% em relação a 2013, mas essa estimativa será revisada, considerando-se as paradas nas montadoras.
A Argentina, principal destino das exportações brasileiras, enfrenta séria e prolongada crise e deve afetar ainda mais a balança comercial do segmento. A previsão é de déficit de US$ 10 bilhões, quase o mesmo saldo negativo do ano passado.
"O ambiente macroeconômico também está se agravando, com redução de crédito e juros e inflação em alta", diz Butori.
O economista do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), Rogério César de Souza, não vê um crescimento robusto para a indústria de transformação, mas é menos pessimista que o BC. A entidade estima alta de 1,3% para o ano, puxada pelos setores de bens de capital, duráveis e intermediários.
"O crescimento vai depender de ajuda do câmbio, investimentos e da própria evolução da economia brasileira", diz Souza. Para o PIB, ele espera crescimento de 2%. "Se ficar muito abaixo disso, a crise vai ser consolidada, pois não será possível recuperar as perdas de anos atrás."
Importados. O gerente executivo de Política Econômica da  CNI (Confederação Nacional da Indústria), Flávio Castelo Branco, reforça que, em geral, os setores com mais dificuldades são aqueles que enfrentam concorrência de importados.
Paulo Francini, diretor do Depecon (Departamento de Estudos Econômicos) da Fiesp, afirma que vários setores iniciaram o ano com boas perspectivas para a balança comercial, mas a recente valorização do real e o colapso das vendas para a Argentina reverteram as expectativas.
Ele também lembra que setores como o automotivo ainda tinham estímulos fiscais no ano passado, que estão sendo suspensos neste ano. O IPI para carros, reduzido desde 2012, vem sendo recomposto gradativamente e o último aumento está previsto para julho.
O presidente do  IABr (Instituto Aço Brasil), Marco Polo, é outro que ressalta a "dificuldade monumental" do produto brasileiro em competir principalmente com o chinês. Em 2000, 1,4% do aço usado no País vinha da China. Hoje, a participação é de 37,8%.
Foram importadas 9,3 milhões de toneladas de aço em 2013. "Se esse ritmo for mantido, em oito anos teremos 57,9% do nosso consumo final baseado em importações diretas e indiretas", afirma Marco Polo. "Muitas empresas vão fechar."
O setor opera com 70% da capacidade, quando deveria trabalhar acima de 80%, diz. Apesar desse cenário, ele prevê alta de 5,2% na produção de aço bruto, após queda de 1% em 2013.


De 3 carros apreendidos, 2 são abandonados no pátio

Cipping Diario do Grande ABC



Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC
Ricardo Trida/DGABC
Quase dois terços dos veículos apreendidos no Grande ABC nos últimos dois anos foram esquecidos pelos proprietários nos pátios. A burocracia e as altas taxas cobradas são apontadas como as principais causas do alto número de automóveis abandonados. Os espaços são de responsabilidade das prefeituras, que, em alguns casos, terceirizam o serviço, como em São Bernardo e Diadema.
Segundo resolução do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), os veículos podem ser leiloados após permanecerem por 90 dias nos pátios. Algumas prefeituras, entretanto, realizam apenas um certame por ano, o que prejudica a abertura de vagas. O CTB (Código de Trânsito Brasileiro) define a apreensão como penalidade para situações como direção sem habilitação ou com o documento suspenso, prática de rachas e embriaguez ao volante. Também são recolhidos carros produtos de furto, roubo ou com alterações de placas e chassi.
Entre 2012 e 2013, 55.744 veículos passaram pelos pátios de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Mauá e Ribeirão Pires. Desses, apenas 23.863 (42,8%) foram liberados. Diadema informou que, no mesmo período, 6.444 unidades retornaram aos proprietários, mas não divulgou o número total de apreensões na cidade.
O número de liberações teve queda de 4,6%. Foram 14.800 veículos devolvidos em 2013, contra 15.507 no ano anterior. A redução foi motivada pelos índices de São Caetano e Diadema, que apresentaram decréscimo de 67,4% e 67,5%, respectivamente. Houve aumento em São Bernardo (28,60%) e Santo André (21,10%).
Por outro lado, o total de apreensões registrou alta de 2,3%. As únicas cidades que apresentaram crescimento foram São Bernardo (8%) e Ribeirão Pires (cerca de 12,5%).
O valor arrecadado com taxas cobradas caiu 33,5%, passando de R$ 6,8 milhões para R$ 4,5 milhões. Em 2012, cada proprietário gastou, em média, R$ 118,5 com as despesas do pátio. No ano seguinte, o valor individual médio foi de R$ 123,3. O preço das diárias é definido por cada município e varia quase 200% na região.
O presidente da comissão de Direito Viário da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil) seção São Paulo, Maurício Januzzi, critica a terceirização dos pátios. Com a transferência da gestão, as empresas passam a cobrar tarifas mais altas, o que dificulta o procedimento de retirada por parte de pessoas de baixa renda. “O carro só é liberado depois que todos os débitos do pátio são quitados. Além disso, é preciso pagar outras dívidas pendentes, como multas, IPVA (Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores), seguro obrigatório e licenciamento.”
Diária cobrada varia quase 200% entre cidades da região
Os valores das diárias para automóveis cobrados na região variam 198,8%. A estadia mais barata é a do pátio de Ribeirão Pires: R$ 19,14. A mais cara – R$ 57,20 – é encontrada em Diadema. Nos demais municípios, a tarifa fixada para carros é de R$ 23,84 (Santo André), R$ 46,69 (São Bernardo), R$ 51,74 (São Caetano) e R$ 31,99 (Mauá). Para outros tipos de veículos, como motos e caminhões, o preço é outro. Além disso, o proprietário tem de pagar taxa de apreensão.
O presidente da comissão de Direito Viário da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil) seção São Paulo, Maurício Januzzi, defende a criação de lei estadual que iguale as tarifas cobradas “É preciso, também, rever as estadias, para que seja possível fazer a retirada.”
Em relação ao prazo para leilão, Januzzi avalia que seria necessário diminuir o prazo de 90 dias para encaminhamento dos veículos ao certame.
Já o advogado Marcos Pantaleão, especialista em Trânsito, contesta a tese defendida pelo colega. “As tarifas têm de ser definidas pelos municípios e, neste caso, a lei municipal é soberana à estadual.” Para ele, o prazo para realização do leilão é adequado. “É preciso dar tempo para que os proprietários consigam realizar todos os trâmites necessários para retirada.”
Falta de vagas prejudica a fiscalização da Polícia Militar
O comandante interino da PM (Polícia Militar) no Grande ABC, tenente-coronel Paulo Barthasar Júnior, reconhece que a falta de vagas em pátios prejudica o trabalho de fiscalização. Em situações em que a apreensão é necessária, como embriaguez ao volante, o veículo acaba sendo liberado para que outra pessoa – habilitada e em condições de dirigir – leve o veículo para casa. Todas as multas são mantidas. “Acaba gerando sensação de impunidade”, reconhece. Ele afirmou não ter informações sobre a situação atual nos espaços espalhados pela região.
A superlotação nos pátios é denunciada pelo Diário desde 2012. Reportagem publicada em junho daquele ano mostrava que, sem espaço para levar os veículos apreendidos, muitos eram abandonados no entorno de distritos policiais, prejudicando o trânsito local.
Em maio do ano passado, o Detran (Departamento Estadual de Trânsito) anunciou que faria PPP (Parceria Público-Privada) para gestão dos pátios no Estado e construção de outros espaços. No entanto, ainda não houve avanços.

http://www.dgabc.com.br/Noticia/522866/de-3-carros-apreendidos-2-sao-abandonados-no-patio?referencia=destaque-titulo-editoria

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Frase do Dia

Quando uma porta da felicidade se fecha, outra se abre, mas costumamos ficar olhando tanto tempo para a que se fechou que não vemos a que se abriu.
Helen Keller
Quem foi Helen Keller

Nascida no Alabama, ela provou que deficiências sensoriais não impedem a obtenção do sucesso. Helen Keller ficou cega e surda, desde tenra idade, devido a uma doença diagnosticada na época como "febre cerebral" (hoje acredita-se que tenha sido escarlatina). Ela sentia as ondulações dos pássaros através dos cascos e galhos das árvores de algum parque por onde ela passeava.

Tornou-se uma célebre escritora, filósofa e conferencista, uma personagem famosa pelo extenso trabalho que desenvolveu em favor das pessoas portadoras de deficiência. Anne Sullivan foi sua professora, companheira e protetora. A história do encontro entre as duas é contada na peça The Miracle Worker, de William Gibson, que virou o filme O Milagre de Anne Sullivan, em 1962, dirigido por Arthur Penn (em Portugal, O Milagre de Helen Keller)...

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Artigo Marina Silva - Compartilhar

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Li e quero compartilhar o artigo de Sérgio Abranches (em www.ecopolitica.com.br) que mostra com clareza a ideia de aliança programática, dando exemplos de como ocorre na Europa e do avanço que pode trazer à política brasileira.

Uso, assim, um instrumento comum na internet, onde se desenvolvem novos aplicativos para a democracia. Pelo compartilhamento recebo contribuições vindas de diferentes lugares e pessoas. Mas gosto da ideia para além do ambiente virtual, quando acontece na vida em sociedade: compartilhar é distribuir, colocar à disposição, recomendar. Assim se ampliam as possibilidades de uma nova política, na qual prospera um ativismo autoral, sem o controle das estruturas estagnadas de poder.
A democracia controlada pelos partidos, com a participação popular reduzida ao voto nas eleições, é só o passo inicial de uma longa evolução. Lutamos para conquistá-la, devemos defendê-la contra qualquer tentativa de retrocesso. Porém essa defesa não pode ser passiva, estacionária, tem que se dar num movimento de ampliar e aprofundar.
Podemos superar a ideia de hegemonia, que baseou a formação dos movimentos políticos modernos. Partidos buscam hegemonia na política, facções lutam pela hegemonia em cada partido, indivíduos o fazem dentro de cada facção. Paradoxalmente, a democracia torna-se o ambiente em que todos buscam reduzir a própria democracia.
A hegemonia se faz na ocupação de espaços, na divisão de cargos, na coalizão baseada em acúmulo de poder. O atraso político leva tudo isso ao pântano, ao ponto de degradar até a linguagem das negociações. Tome-se, por exemplo, a distribuição de ministérios e secretarias "com porteira fechada", expressão que designa o controle de todos os cargos pela facção que recebe aquele pedaço do Estado.
Só um realinhamento político ancorado num programa pode desconstruir as máquinas de hegemonia e controle através do compartilhamento, da distribuição horizontal do poder e de ideias oriundas de vários centros não hierarquizados.
É possível ter estabilidade e "fazer as coisas" com uma política radicalmente democrática? Essa dúvida vem do medo de aceitar o outro, ouvir sua voz, compreender a necessidade de sua presença. Permanece entre nós a ideia militarista de divisão, embate, ordem unida. Eis a bipolaridade: governo contra oposição, aliados contra inimigos. No final das contas, brasileiros contra brasileiros. Repete-se o "ame-o ou deixe-o", como se fosse impossível amar e discordar.
Numa agenda pactuada com a sociedade, compartilhando poder e responsabilidades, podemos criar um campo virtuoso em que a democracia é o ambiente no qual se gera mais democracia.
Chegaremos lá.


terça-feira, 8 de abril de 2014

Só uma pequena história...... (conto de Denilson Luiz Cicote)

Texto que publicava em meu antigo Blog, o Verbo e Paixão junto com minha querida amiga Sonia Leão. 


Está é só um pequena história, com um leve valor sentimental. Sempre escrevo, porém pouco publico. escrevo muitas "historinhas", que me servem como exercício de relaxamento e destravamento literário. Nascem e desenvolve-se quase que no piloto automático, feitas de um só folego, construídas através de vivencias e sentimentos. Os que me parecem filhos mais fortes deixo sair e enfrentar o mundo


Amanhece
O alvorecer tinge esparsas nuvens de vermelho sangue. Há uma luta entre as trevas noturnas e a luz que anuncia o novo dia. Por um mágico e assustador instante há a ilusão da luz fraquejar e o sol, cansado da contínua luta do dia após dia entrega-se, finalmente, lenta e va ga ro sa men te a escuridão. Tudo para! Não é noite. Não é dia ainda. Indefinido momento. Parecendo retomar forças, o sol então irrompe.Cascatas de luz empurram rios de trevas para longe e para frente. A luz, agora vencedora, reina mansamente banhando tudo ao seu alcance. Passou o instante, passou a magia.
O dia claro surge para as pessoas como apenas mais um dia. Inconscientes da feroz e titânica luta aquecem seus corpos e almas em xícaras, microondas e noticiários, tomando seu leite puro do campo da mais pura e bela caixinha. Leite ruim pra gente boa, leite bom pra gente ruim, todos insensíveis a morte do leiteiro que a própria caixinha matou.Crianças consomem preguiçosamente flocos de super-vitaminas artificialmente naturais com 11 minerais naturalmente criados pelo homem.
Não longe de suas casas outro drama tem inicio.
Em um dos inúmeros pontos da cidade, um amontoado de ilusões, sonhos e esperanças esperam.Logo será a vez deles, mesmo por pouco tempo, serem parte da realidade.
Pessoas chegam à larga rua. Conversam. Discutem amigavelmente. De forma não natural sorriem naturalmente. Esperam.
O coração acelera. Segundos antecedem o estampido seco em uma cadencia insana. Só em meio a tantos. Outras dezenas observam tudo em silencio. Imagens sucedessem com rapidez. Imagens nos olhos. Imagens na mente. Rua, rostos tensos, arma em punho, suor escorrendo, asfalto escuro, sol, água, camisas, costas, números fora de ordem. O tempo para. A vida para. O tempo passa. A vida passa. A tensão aumenta.Em poucos segundos o reboar do seco estampido transformará em movimento essa falsa inércia. Um estampido definindo a vida. Um novo começo. Ali, finalmente, todos são iguais. Homens - maquinas, super homens, homens comuns, lugar comum. Alguns fixam o chão tentando não pensar em nada.Alguns, o horizonte tentando pensar em tudo. Todos a espera de um tiro que lhes trará a vida, a emoção momentânea. A ilusão, a esperança que não abandona. Quixotes enfrentando seus moinhos de vento . O vento no rosto, a boca seca, o tiro. Eurípedes modernos em suas maratonas particulares. Vencendo a vida, vencendo a dor, vencendo o cansaço.
Ecoa o tiro.
Ecoa o BOOOOOOOmm momento da largada em uma explosão de músculos.
Uniformemente a massa humana avança com um só pensamento, um mesmo objetivo para todos, um só objetivo para cada corredor.Correr pra vencer. Vencer todos, vencer alguém, vencer a si mesmo. Vencer sentimentos, vencer a prestação atrasada, vencer a dor do abandono, vencer a tristeza da morte.. Vencer a perda, ser melhor, ser alguém.
O que era aparentemente compacto cinge-se em pequenos blocos. Avançam. Dividem-se ainda mais. Enquanto poucos seguem solitariamente juntos a frente dezenas vão bem atrás, não tristes, unidos. Se por um breve instante antes da partida tiveram a ilusão e esperanças da vitória estão felizes agora em poder participar e apenas terminar. Outros nem isso. Ficarão pelo caminho.
Os corredores seguem como o tempo em uma única direção e um único fim. Avançam. Correndo contra o cansaço, o desanimo e a sede. Tudo é simultâneo. A consciência de um outro ao lado já não o torna tão igual e o instante anteriormente tão largo e demorado cresce assustadoramente naquele pequeno grupo em que o levantar e descer de pernas segue a respiração ofegante do ritmos dos braços queimados de sol onde a face derrama o liquido salobro sobre a terra. No horizonte divisam a chegada. O ritmo cresce freneticamente como se a força não estivesse nas pessoas, mas sim naquele ponto, exercendo atração, puxando.
Perto demais do fim dois correm lado a lado. Outros três acompanham a menos de um passo, e não tão juntos, formam o desenho de uma pequena escada. O último degrau adianta-se, busca forças, destaca-se desfazendo a escada. Emparelha com os dois primeiros. Um deles força a marcha. O outro tenta responder, mas não consegue. Agora o atrevido degrau está entre os dois. Força ainda mais o ritmo. A imagem da chegada nos olhos. Imagens na mente. Pessoas, rostos tenso, suor abundante, o asfalto escuro, o sol, a água, camisas, pessoas, números em confusão, chegada, gritos, mais força, maior ritmo, gritos, grito, a dor, o chão se aproxima vertiginosamente dos olhos, a dor, o desespero, a dor, a derrota, o grito alucinante. O degrau desaba. Levado pela vontade, traído pelo corpo. Ícaro que ousou chegar perto demais do sol. Sob o peso da dor, ainda pode ver com a cabeça inclinada a passagem do vencedor pela chegada.
Quase inconsciente pela dor, é socorrido pelos espectadores. Recusa ajuda. Apóia-se nos braços, nas pernas doloridas. Rejeita o médico. Levanta os olhos, divisando o objetivo. Respira fundo. Passos vagarosos em uma lenta agonia. Sofrimento no rosto, misturado a expressão orgulhosa e teimosa. A multidão hipnotizada acompanha, sofrendo ela também. Orgulhosa ela também. Teimosa ela também. Deixa os vencedores sozinhos e vencidos na linha de chegada. Lá eles esperam para prestar homenagem a aquele homem, que já não vem mais sozinho. Filmado, fotografado, sua imagem corre rápido e com velocidade pelo mundo. Amanhã será manchete. Primeira página. Mas hoje mesmo terá sua vida esmiuçada, lenda criada, linhagem de semi-deuses eternizado no Olimpo do mundo digital. Depois, será convenientemente substituído, esquecido e abandonado.
Tudo terminado, tudo comentado, o dia retomará seu ritmo ao cair da tarde. Longe do drama as pessoas voltam para casa. Para seus televisores, suas xícaras, seus microondas. A eterna luta tem inicio, e a trevas lutam para engolfar mais uma vez a luz.....

Parabéns Santo André